O ser humano é dotado de uma curiosidade irritante. É essa curiosidade que leva as nossas mães, corujíssimas por ter um filho na faculdade, a fazer aquela pergunta assustadora enquanto limpa a nossa amiga pasta de carregar cadernos e tralhas: “Publicidade e propaganda… qual a diferença entre um e outro?â€
A confusão é generalizada. Todos os profissionais da área, toda a literatura nacional sobre o assunto, até – pasmem – o dicionário não sabem ao certo quem é quem e o que faz o quê.
Vamos começar com o fato principal: Propaganda é uma coisa, publicidade é outra. Se fossem sinônimos como o Aurélio tenta nos convencer, alguém já teria percebido e a nossa pasta da Faculdade teria um bordado menor. Para não destratar tanto o nosso velho companheiro, podemos dizer que em até certo ponto publicidade e propaganda compartilham muitas semelhanças sim. Mas é na sua verdadeira essência, no seu verdadeiro sentido, onde se encontra a diferença.
Publicidade, essencialmente falando, só acontece quando existe um produto e uma comunicação que pretende convencer alguém de comprá-lo. O produto pode ser qualquer coisa, de um penduricalho de celular à um cruzeiro nas Bahamas. A comunicação também tem variadas formas de se apresentar: anúncios, rádio, TV, cinema, guerrilha, etc. O que importa aqui é usar os meios de comunicação para vender, ou seja, para fins comerciais.
Propaganda, por outro lado, usa todo o seu poder persuasivo para convencer você de alguma coisa, seja ela o que for. Não é à toa que o horário eleitoral gratuito na TV é chamado de “propaganda eleitoralâ€, afinal lá é onde se propagam idéias e ideais.
Os dois utilizam-se dos meios de comunicação de massa e da persuasão, mas as semelhanças param por aí.
Mas de onde vem essa confusão toda então?
Segundo um estudo realizado por professores da PUCRS, a origem vem da tradução literal da literatura estrangeira sobre o assunto. Principalmente do inglês, onde publicity (publicidade, no sentido de relações públicas), advertise (publicidade) e propaganda (propaganda) acabam se tornando sinônimos com o uso. Isso quando não é pior e seus sentidos são praticamente invertidos.
Mas que fique bem claro: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
[Escrevi esse texto na aula de Teoria da Comunição II, na faculdade, e como ficou bacana resolvi compartilhar.
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