Esse texto é muito mais um note to self (”nota mental” – apesar de que eu nunca achei que essa tradução tivesse o mesmo significado que a expressão em gringolês) do que um guia em si. Tenho meus planos de voltar a fazer quadrinhos (um dia), e pretendo fazer o trabalho muito bem embasado quando isso acontecer.
Ando numa fase de muita leitura fictícia (e bota muita nisso!), e começo a assimilar alguns pontos interessantes sobre o assunto. Daí esse texto meio que foi nascendo naturalmente. Admito que o escrevi todo de uma vez só, com poucas revisões.
Fica como dica para quem se interessa em escrever/desenhar/criar personagens que envolvam o leitor/audiência. São todas opiniões bem minhas, sem nenhum fundo mais intenso de pesquisa. Tentem levar “de boa” sem muitas cobranças.
1 – Comum
A era dos super herois, de corpos perfeitos, olhos azuis e gramática impecável passou. Se você não esteve em Marte nos últimos anos deve ter ouvido falar de Harry Potter, um bruxinho baixinho, moreno, de óculos, como muitos meninos que passam pela rua e não chamam atenção.
Ser “comum” torna um personagem fictício mais real. Se ele tem olhos castanhos como a maioria tem, se ele tem os lábios finos, se sua pele é um pouco pálida, se anda um pouco curvado para frente… isso o torna facilmente identificável com os leitores.
E com isso, mas amável.
É sempre bom considerar que se o leitor está lendo um conto de ficção, ele provavelmente que fugir um pouco da realidade, e se projetar em um outro personagem com o qual ele se identifique acaba sendo natural.
2 – Defeitos
Ninguém é perfeito, ora bolas. Mas é sempre bom considerar que, se você quer que o seu leitor se identifique com seu personagem, ele tem que ser real – e como qualquer pessoa real, tem que ter defeitos.
Defeitos físicos – uma cicatriz, um nariz meio torto, um cabelo que não se arruma sozinho. Defeitos de personalidade – ser muito teimoso, muito ciumento, muito carrancudo, muito quieto.
Pode parecer bobagem, mas as vezes um personagem com alguma obsessão (muito vingativo, por exemplo) acaba conquistando mais os leitores do que o mocinho que quer justiça. Assista V de Vingança. Um pouco de raiva e arrependimento dão profundidade a um personagem como poucos.
3 – Qualidades
Todo lado ruim tem um lado bom. Sejamos Pollyanna por um momento e consideremos que se o personagem é muito vingativo, é porque ele ama demais. Se é muito quieto, talvez seja bastante inteligente. Se não é muito bonito, provavelmente aprendeu a enxergar a beleza interior das pessoas (ou não, isso seria um ótimo plot de um bom vilão).
Repare que eu cito as qualidades depois dos defeitos. Na verdade, o leitor vai se identificar muito mais com os defeitos do personagem, mas são as qualidades que vão arrematar seu coração. O personagem pode ser destrambelhado, fraco, não muito bonito, mas é corajoso e sincero. Dá vontade de pegar no colo e levar pra casa!
4 – Intensidade
Um pouco ciumento, um pouco destrambelhado, um pouco azarado, um pouco amável, isso todos nós somos. Mas o que faz do seu personagem um personagem que seja especial?
Em alguma de suas características, deve existir uma certa intensidade.
Bella Swan (na série de livros Crepúsculo) é normal, mas tem uma capacidade absurda de se meter em problemas e enfrentá-los com bravura. Hermione (da série Harry Potter) não é descendente de bruxo, tinha tudo para ser normal, mas é tão obsessiva com perfeição que se tornou uma grande bruxa.
Muitas vezes, o leitor não é uma pessoa extremamente intensa em alguma característica como os personagens, mas se identifica porque no fundo no fundo, queria ser. Daí é na intensidade que o personagem conquista de vez – e o que torna ele único.
Boas criações.